Quem não faz oração está perdido

Os Santos Padres e os grandes mestres da vida espiritual estão todos de acordo em proclamar a eficácia santificadora, verdadeiramente extraordinária, da oração. Sem ela, é impossível chegar à santidade.

Os Santos Padres e os grandes mestres da vida espiritual estão todos de acordo em proclamar a eficácia santificadora, verdadeiramente extraordinária, da oração. Sem oração — sem muita oração — é impossível chegar à santidade.

Os testemunhos que se poderiam apresentar são inúmeros [1]. A título de exemplo, porém, reuniremos aqui apenas alguns.


São Boaventura. — “Se queres sofrer com paciência as adversidades e misérias desta vida, sê homem de oração.

Se queres alcançar virtude e fortaleza para vencer as tentações do inimigo, sê homem de oração.

São Boaventura.

Se queres mortificar tua vontade própria com todas os seus gostos e apetites, sê homem de oração.

Se queres conhecer as astúcias de Satanás e defender-te de seus enganos, sê homem de oração.

Se queres viver alegremente e caminhar com suavidade pelo caminho da penitência e do trabalho, sê homem de oração.

Se queres afugentar da tua alma as moscas importunas dos vãos pensamentos e cuidados, sê homem de oração.

Se a queres sustentar com a gordura da devoção e trazê-la sempre cheia de bons pensamentos e desejos, sê homem de oração.

Se queres fortalecer e confirmar teu coração no caminho de Deus, sê homem de oração.

Finalmente, se queres desenraizar da tua alma todos os vícios e plantar em seu lugar as virtudes, sê homem de oração: porque nela se recebe a unção e a graça do Espírito Santo, que ensina todas as coisas.

Além disso, se queres subir à altura da contemplação e gozar dos doces abraços do esposo, exercita-te na oração, porque este é o caminho por onde a alma sobe à contemplação e gosto das coisas celestiais.” [2]

São Pedro de Alcântara. — Citando um outro autor, escreve:

Na oração, purifica-se a alma dos pecados, apascenta-se a caridade, certifica-se a fé, fortalece-se a esperança, alegra-se o espírito, derretem-se as entranhas, pacifica-se o coração, descobre-se a verdade, vence-se a tentação, renovam-se os sentidos, repara-se a virtude enfraquecida, despede-se a tibieza, consome-se a ferrugem dos vícios, e saltam as centelhas vivas de desejos do céu, entre as quais arde a chama do divino amor. Grandes são as excelências da oração, grandes são seus privilégios. A ela estão abertos os céus, a ela se descobrem os segredos, e a ela estão sempre atentos os ouvidos de Deus. [3]

Santa Teresa. — Para a grande mestra da vida espiritual, a oração é o tudo! Não há outro exercício no qual insista tanto, em todos os seus escritos, e ao qual conceda tanta importância santificadora como à oração. Parece-nos inútil citar textos: basta abrir ao acaso qualquer um dos seus livros. Segundo ela, a alma que não faz oração está perdida; jamais chegará à santidade. De igual modo pensava São João da Cruz, tão identificado com a insigne reformadora do Carmelo.

São Francisco de Sales. — “Pela oração falamos a Deus e Deus reciprocamente nos fala, aspiramos a Ele e respiramos n’Ele, e Ele nos inspira e respira sobre nós.

Mas de que tratamos nós na oração? Qual é o assunto da nossa conversação? Nela, Teótimo, não se fala senão de Deus; porque de que mais pode falar e se entreter o amor senão do amado? Por isso, a oração e a teologia mística são uma mesma coisa. Chama-se teologia porque, assim como a teologia especulativa tem a Deus por objeto, também a teologia mística não fala senão de Deus, mas com três diferenças:

  1. aquela trata de Deus enquanto Deus, e esta fala de Deus enquanto sumamente amável; isto é, aquela considera a Divindade da Suma Bondade, e esta a Bondade da Divindade;
  2. a especulativa trata de Deus com os homens e entre os homens; a teologia mística fala de Deus, com Deus e em Deus;
  3. a especulativa tende ao conhecimento de Deus, e a mística ao amor, de modo que aquela torna seus alunos sábios, doutos e teólogos; enquanto esta os torna ardentes, afeiçoados e amantes de Deus.” [4]

Os textos poderiam multiplicar-se com abundância, mas não é necessário. Todas as escolas de espiritualidade cristã concordam em proclamar a necessidade absoluta da oração e sua extraordinária eficácia santificadora.

À medida que a alma intensifica a sua vida de oração, aproxima-se mais de Deus, em cuja perfeita união consiste a santidade. A oração é a frágua do amor, onde se acende a caridade e se ilumina e abrasa a alma com suas labaredas, que são luz e vida ao mesmo tempo. Se a santidade é amor, união com Deus, o caminho mais curto e rápido para que a alcancemos é a contínua e ardente vida de oração.

Referências

  1. Remetemos o leitor à preciosa obra do P. Arintero, Cuestiones místicas, principalmente à questão 2, artigos 4-5, onde se pode encontrar um verdadeiro arsenal de testemunhos dos Santos Padres e místicos experimentais.
  2. Citado ou comentado por São Pedro de Alcântara: Tratado de la oración, p. 1.ª, c. I. Esta pequena obra, como se sabe, é uma recopilação da que, com o mesmo título, foi publicada pelo Frei Luís de Granada.
  3. Tratado de la oración, p. 1ª, c. I.
  4. Tratado do Amor de Deus, l. 6, c. 1.

Notas

  • Traduzido e adaptado de Teología de la Perfección Cristiana. Madri: BAC, 2015, pp. 636-638, n. 481.

Fonte: padrepauloricado.org

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